terça-feira, 22 de março de 2011

Melissas poderiam ser vendidas por 1/3 do preço

Isso a gente já sabe há séculos, que esses sapatos de plástico não valem a fortuna que cobram da gente. Mas quando o próprio gerente de marketing da Melissa diz isso com todas as letras, a coisa fica ainda pior. Leiam essa reportagem que saiu na Veja em 16 de julho de 2003 e se revoltem comigo:

Plástico de grife: De Louis Vuitton a Alexandre Herchcovitch, o chique no verão será desfilar com uma melissinha assinada.

Sabe o chinelo Ryder, que acompanha a bermuda larga e a camiseta velha no churrasco do fim de semana? Pois agora tem um parecidíssimo para vender nas ultra-exclusivas butiques Louis Vuitton. Claro que é cor-de-rosinha (para homens, marrom), com o logotipo famoso em dourado, a borracha não tem cheiro e custa 745 reais o par (o Ryder sai por 12). Mas que parece, parece. No verão que vem aí, e que já começou no Hemisfério Norte, os calçados de plástico, antes uma alternativa barata para sapatos de couro, foram alçados à categoria de acessório fashion, comercializados nas lojas de grife mais caras do mundo. Seguindo a plastificada trilha da Louis Vuitton, a inglesa Burberry lançou uma sandalinha baixa de dedo, com alças de plástico e o célebre xadrez no forro, que custa 85 dólares. A italiana Dolce&Gabbana também tem sua "melissinha" de verão e a francesa Christian Dior lança neste mês uma variação, de borracha dura, que no Brasil custará 890 reais.

A multiplicação das sandálias de plástico nacionais começou em 1979, com o lançamento da Melissa, da Grendene, fábrica que até hoje é líder disparada no setor (são dela o Ryder e os modelos de artista – Gisele Bündchen, Adriane Galisteu e outras). Diz a Grendene que a inspiração da Melissa veio da Europa, onde esse tipo de calçado causou furor nas praias do Mediterrâneo quando marcas francesas copiaram um calçado típico dos pescadores locais. Depois veio a melissinha, para meninas, que foi imitadíssima e caiu no gosto da turma fashion. A sandália de plástico de desenho ingênuo vive reaparecendo em inúmeras variações. Na última São Paulo Fashion Week, foi lançada a linha Plasticodelic, cheia de cores fluorescentes, em que um modelo de saltinho e bico fino leva assinatura de Alexandre Herchcovitch (preço: cerca de 70 reais). Também criaram melissas próprias a Cavalera e o estilista Marcelo Sommer. A mais cara, a Couture, é coberta de cristais, tem edição limitada, assinatura da inglesa J. Maskrey e custa aqui 500 reais. "Paga-se pelo conceito. A sandália que não tem o apelo da marca pode ser vendida por um terço do preço", diz o gerente de marketing da Melissa, Paulo Filho. Vai sobrar conceito no verão.

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