O produto que venho indicar é o Moleskin Plus, também da Dr. Scholl’s. No site brasileiro eles descreveram assim: “protetor de tecido de algodão auto-adesivo sensível a pressão”. Traduzindo, é um tecido semelhante a feltro, com adesivo em um dos lados. O produto não é muito espesso, mas também não é muito fino. Dá para usar com sapatos de bico estreito sem espremer os dedos e o resultado é muito bom.
O Moleskin é vendido em uma embalagem com 3 tiras de 4 5/8" x 3 3/8" (11,5 x 8,5 cm) ou em um rolo de 24" x 4 5/8" (61 x 11,5 cm). Eu comprei o rolo e acreditem-me, não é tanta coisa assim.
Cuidado para não confundir! Existe também outro produto chamado Molefoam, que é semelhante ao Moleskin mas é tipo uma espuma, ou seja, é mais espesso. Esse eu não testei porque acho que vai deixar o pé apertado dentro de uma Melissa. Deve funcionar bem para um sapato mais folgado, como um tênis.
O Moleskin é ótimo para quando se quer proteger uma área maior de pele, sem precisar usar 10 band-aids em cada pé. A praticidade de poder cortar no tamanho desejado é um ponto positivo e além disso o produto tem uma ótima aderência. Fico o dia inteiro com ele no pé, sem que saia do lugar. Passei duas semanas testando o Moleskin pra vir falar pra vocês, e vou descrever o processo aqui. Para as agoniadas que quiserem saber logo o resultado, basta pular para a parte de conclusões, haha! =P
***** PRIMEIRA SEMANA *****
Resolvi colocar o produto à prova máxima logo de cara: queria ver se eu conseguia usar uma Melissa já estando com os pés machucados. Mas pra isso eu precisava antes machucar os pés... Então decidi me autotorturar e usar os modelos mais massacrantes, sem meia e sem band-aid (e sem o Moleskin). Sim, eu fui meio louca (ou louca e meia, como preferirem), mas como falei eu queria testar o Moleskin nas piores condições.
Segunda-feira
Melissa do dia: Ultragirl Animals
Antes que alguém venha com um "mas Sandra, a Ultra não machuca, mimimi", deixa eu explicar. Para o meu pé, todo e qualquer sapato machuca, basta usar por tempo suficiente. As Ultras, especialmente as estampadas - e portanto mais durinhas - como a Animals, têm um jeito só delas de machucar na lateral do dedão e do mindinho. Nesse dia eu tinha de fazer feira, o que significava cerca de 15 horas de uso contínuo. Lembrando que eu estava sem meia e sem protetor algum nos pés, seriam poucos os modelos que eu teria coragem de usar para aguentar a parada. Como era esperado, no fim do dia meus pés estavam comidos nas duas laterais. Melissa 1 x Sandra 0.
Terça-feira
Melissa do dia: Mary Jane
Com os pés devidamente destruídos nos lados, era hora de fazer calos na parte de cima dos dedos, e a Mary Jane é perfeita para isso. Como acontece em toda Melissa de salto que fica mais folgadinha, o pé fica se mexendo lá dentro, indo e vindo pra frente e pra trás, o que machuca um bocado ao longo de um dia de trabalho. Melissa 2 x Sandra 0.
Quarta-feira
Melissa do dia: Nailah flocada
Os dedos já tinham ido para o beleléu, faltava acabar com os calcanhares. Uma sapatilha flocada faz isso como ninguém. Essa Nailah que eu usei é das gerações mais antigas e portanto o plástico é mais duro. Na mosca, calcanhares destruídos em dois tempos. Lembrando mais uma vez que o objetivo era mesmo machucar os pés, então nada de Moleskin, não ainda. Melissa 3 x Sandra 0.
Quinta-feira
Melissa do dia: Severine de corações
Peguei pesado. Após sofrer 3 dias consecutivos e estar com os pés machucados em todos os lugares possíveis, finalmente chegou a hora de testar o Moleskin. E a Melissa escolhida não poderia ser outra além da toda-poderosa-comedora-de-pés: a Seve linha-dura, de corações, aquela cujo plástico arranca o seu couro só de olhar pra ele. Para enfrentar o desafio eu cobri os pés com o Moleskin, sem pena, protegendo cada pedaço de pele que doía. E calcei a Melissa. Aiaiai! Senti na hora o calcanhar machucando. Ponto negativo pra Dr. Scholl's, e eu ainda não tinha passado nem 10 segundos usando o produto. Mas como eu estava disposta mesmo a testá-lo, segui firme com o meu propósito e passei o dia com a Seve. Os dedos ficaram relativamente bem, tanto em cima como dos lados. Dava pra sentir o desconforto causado pelo sofrimento dos 3 dias anteriores, mas não chegava a doer, só incomodava. Os calcanhares por outro lado, só pioraram ao longo do dia. Melissa 4 x Sandra 0.
Sexta-feira
Melissa do dia: Three Straps
Como ninguém é de ferro, no último dia escolhi uma Melissa que não "pega" em lugar nenhum. Como os pés continuavam doloridos, o Moleskin ajudou a protegê-los sem piorar o problema. Deu para usar a Three Straps o dia todo, confortavelmente. Melissa 4 x Sandra 1.
***** SEGUNDA SEMANA *****
Na primeira semana eu quis ver como o Moleskin se comportava quando os pés já estavam machucados. O objetivo da segunda semana era diferente, eu queria ver se o Moleskin protegia os pés para *evitar* que eles ficassem machucados. Então ao longo da semana eu novamente escolhi Melissas que me machucam nos dedos e calcanhares, mas dessa vez eu cobri bem essas regiões críticas com o Moleskin antes de enfrentar a jornada de trabalho. Os modelos usados foram: Ashia, Temptation, Troupe, Mary Jane e Adanna e mesmo assim eu terminei a semana toda feliz e serelepe, sem dores. Melissa 0 x Sandra 5.
Durante os 5 dias o Moleskin se comportou muitíssimo bem. Eu cortei o rolo em 4 tiras de cerca de 1,5 cm de largura e usei nas áreas críticas do pé: a parte de cima dos dedos, a lateral do dedão e do mindinho e o calcanhar. Terminei cada dia sem dores, sem bolhas e sem calos. Como falei lá em cima, o Moleskin aguentou o dia todo sem sair do lugar, mas vale ressaltar que o meu pé não suou (não tem como suar nesse frio que tá fazendo aqui). Quando se toma banho com o Moleskin ele desgruda, então imagino que se o pé suar muito vai acontecer o mesmo. Mas para isso existem os talcos e as meias, né não?
***** CONCLUSÕES *****
O Moleskin não é muito apropriado para quando os pés já estão machucados, porque o produto não tem tanta espessura assim para amortecer a dor. Alivia o incômodo, sem dúvida, mas na região dos calcanhares, por exemplo, o desempenho deixa a desejar. Ele não deve ser usado em cima de bolhas, pois na hora de retirá-lo o adesivo vai arrancar a pele da bolha e piorar o problema.
A aplicação perfeita para o Moleskin é quando se quer *evitar* que o pé fique machucado. Ou seja, o produto deve ser usado nas regiões que costumam incomodar, antes que elas estejam incomodando. Assim ele protege o pé de forma bastante eficiente, principalmente na região dos dedos (joanetes inclusive).
Fiquei muito satisfeita com o resultado e recomendo. Já vou na terceira semana de uso e continuo achando que vale muito a pena. Não é caro, tem boa qualidade e resolve o problema. Precisa dizer mais? =)



Sandra, adorei o teste!!! Um pouco maluca vc (rs) deixando as melissas destruirem seus pézinhos, mas adorei a dica do produto e vou já procurar ele.
ResponderExcluirNossa, ultimamente meu pé anda sofrendo muito com quase todos os sapatos que tenho. Acho que é falta de costume já que como não estou trabalhando não tenho submetido eles a muitas horas 'trancafiados'
Bjão
Espero que você goste, Cris. Eu adorei! =)
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